Sobre a paciência para ouvir.

Jó 4: 1-4
 “Então, respondeu Elifaz, o temanita, e disse: Se intentarmos falar-te, enfadar-te-ás? Mas quem poderá conter as palavras? Eis que ensinaste a muitos e esforçaste as mãos fracas. As tuas palavras levantaram os que tropeçavam, e os joelhos desfalecentes fortificaste”.

Embora, como crentes, sabemos que nenhuma palavra de consolo surte o efeito a que lhe é proposto se ela não vir diretamente do Senhor. Não estou dizendo que temos que ouvir uma voz como o som de “muitas águas”, isto é, a voz do próprio Senhor, todavia nós sabemos quando uma palavra proferida por um irmão ou irmã vem do Senhor ou não. A palavra que é proferida por inspiração ou revelação divina produz imediatamente o efeito para o qual foi enviada. Jó, naquele momento, não precisava de explicações para tudo o que lhe tinha sobrevindo, antes precisava de uma palavra consoladora e confortadora.

Provavelmente, Jó, quando viu seus três amigos chegarem, sentiu um alivio na alma angustiada. A Bíblia diz que existem pessoas que em algumas situações recusam ser consoladas – “Em Ramá se ouviu uma voz, lamentação, choro e grande pranto; era Raquel chorando os seus filhos e não querendo ser consolada, porque já não existiam”, porém, não podemos generalizar. Contudo, assim como numa evangelização, no momento em que a situação exige palavras alentadoras, devemos permitir que o Espírito Santo fale por nós. A psicologia não conforta ninguém; a filosofia não consola ninguém; e, muito menos, a religião, mesmo tendo a mais exuberante teologia, é capaz de amenizar a dor de ninguém.

Quando Jó viu seus amigos se aproximarem, com toda certeza pensou – “Graças a Deus o Senhor enviou seus servos para me consolarem”, e, sem duvida alguma, as primeiras palavras de Elifaz soaram como alento, mas logo em seguida tornaram-se polêmicas e acusadoras. Elifaz começa seu discurso com uma comiseração dissimulada. Em outras palavras o que Elifaz estava dizendo a Jó com “Se intentarmos falar-te, enfadar-te-ás? Mas quem poderá conter as palavras?”, era que o que ele tinha para dizer não era agradável e muito menos atenuante, mas, era, como dizem alguns profetas nos dias de hoje, “o que o Senhor mandara dizer”. Traduzindo, o que Elifaz quis dizer é: desculpa-me, mas não posso deixar de te falar isso.

Ao pedir paciência a Jó para escutar atentamente tudo o que ele falaria, Elifaz já deixa bastante claro, nas entrelinhas, que seu discurso seria duro e, se ele tivesse em suas mãos os evangelhos, sem duvida alguma citaria a passagem que alguns pregadores sempre usam para justificarem as mensagens duras que pregam – “Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna”. Diante disto, Elifaz está exigindo que Jó aceite todas as palavras sejam elas consoladoras ou exortadoras.

Elifaz ainda lembra a Jó que quando ele fez o papel de consolador ou exortador, as pessoas ouviram atentamente tudo o que ele disse, mas, agora, infelizmente a situação inverteu e ele, Jó, tem que ter a humildade de receber, tanto o consolo quanto a exortação.

Erivelton Figueiredo

Deus te abençoe.
Graça e Paz.

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