O discernimento distingue corretamente entre o bem e o mal.

Hebreus 5: 14
Mas o mantimento sólido é para os perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal.”

O autor da carta aos Hebreus chama a atenção dos leitores, de qualquer época, a estarem vigilantes para não incorrerem num erro muito comum entre os crentes – o comodismo. Esse perigoso comportamento tem feito muitos crentes a agirem de forma que não alcancem as promessas de bênçãos feitas por Deus. Assim como Israel saiu de debaixo da opressão egípcia, mas hesitou em entrar na terra prometida, os crentes, nos dias atuais, aceitam a salvação em Cristo Jesus, mas ficam hesitantes em viver a “novidade de vida”. Desta forma, esses crentes, não retrocedem por medo de ir para o inferno, nem avançam por medo do inusitado e daquilo que é desconhecido racionalmente.

O escritor aos Hebreus faz uma analogia espetacular dos crentes imaturos – ele os compara a crianças. Por que crianças? Neste caso aqui o escritor se refere a falta de discernimento que uma criança tem a respeito dos perigos que a cerca, e não se aplica apenas os perigos que estão patentes aos olhos, mas, refere-se aos que invisivelmente podem ser letais ou extremamente prejudiciais. Isto pode ser constatado no comportamento de uma criança, ainda bem pequena, que tudo quanto pega com suas mãozinhas leva a boca, não discernindo o perigo que aquilo pode estar contaminado com bactérias letais. Outro caso é o de uma criança as margens de uma rodovia muito movimentada, sem a companhia de alguém mais maduro e mais consciente para conduzi-la, a criança, sem discernimento do perigo que é um veículo em alta velocidade, deliberadamente atravessaria a rodovia ou caminharia em suas margens sem a devida precaução.

Aqui, no caso da analogia que o escritor aos Hebreus fez, ele compara os crentes imaturos com crianças que ainda não podem receber alimento que exija um maior esforço do aparelho digestório, pois, ao contrário do que se pensa, em vez de fazer bem faz mal. A falta de discernimento neste caso é de ambas as partes, pois tanto o que dá o alimento quanto ao que recebe o alimento não atentaram para o perigo real. A falta de maturidade é de ambas as partes.

Ao crente imaturo falta-lhe discernimento natural e espiritual na mesma proporção. É o tipo de crente que julga que qualquer alimento, neste caso, sendo entregue por qualquer pregador, pode ser ingerido, e assim, sem fazer qualquer julgamento, pois não tem discernimento para isso, tal crente ouve no rádio, vê na televisão ou segue nas redes sociais sem fazer qualquer verificação com a Sagrada Escritura.

O discernimento de espíritos é fundamental para a maturidade do crente, pois, da mesma maneira que o nosso corpo físico tem sentidos sem os quais não poderíamos subsistir, também o nosso “ser interior espiritual” tem “sentidos espirituais” que somente são despertados quando exercitados. Por exemplo: “Provai e vede que o Senhor é bom”. “Bem-aventurados, porém, os vossos olhos, porque veêm; e os vossos ouvidos, porque ouvem“. Ao alimentar-se da Palavra de Deus e aplicá-la à vida diária, o crente terá os “sentidos espirituais” exercitados, e eles se tornam mais fortes e apurados.

Erivelton Figueiredo

Deus te abençoe.
Graça e Paz.

Referências:
– Comentário Bíblico Expositivo do Novo Testamento – W. W. Wiersbe

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