Jó lamenta pelo dia de seu nascimento.

Jó 3: 1-4
 “Depois disto, abriu Jó a boca e amaldiçoou o seu dia. E Jó, falando, disse: Pereça o dia em que nasci, e a noite em que se disse: Foi concebido um homem! Converta-se aquele dia em trevas; e Deus, lá de cima, não tenha cuidado dele, nem resplandeça sobre ele a luz!”

Lastimar os infortúnios da vida não é pecado. O sentido literal do termo murmurar diz que quem murmura está lamentando ou questionando sobre algo que lhe sobreveio repentinamente. Lastimar pelos inconvenientes da vida não pode e nem deve ser visto como pecado. Nosso Deus conhecendo nossa estrutura entende que diante de determinadas circunstâncias, pela nossa fraqueza, abriremos nossa boca para proferir murmurações. Ainda que a nossa definição para o termo aponte para o sentido pejorativo (reclamar com veemência), nossas murmurações até ao ponto em que não haja a blasfêmia são perfeitamente compreendidas por Deus.

Embora, a partir deste ponto da história de Jó, o nome de Satanás não seja mais citado e que não seja imputada a ele culpa pelos acontecimentos doravante, entretanto, devemos estar cientes de que ele não cessou suas investidas. Satanás não vai se dar por vencido até o último instante da sua existência na historia da humanidade nesta terra. Outro ponto de extrema importância no Livro de Jó é o fato de que o livro não quer dar a Satanás nenhum prestígio ou reconhecimento por suas obras malignas.

Sete dias haviam se passado desde que os amigos de Jó vieram condoer-se com ele. Nenhuma palavra fora dita até o momento em que Jó abre a sua boca e, para espanto de todos, inclusive o de Satanás, amaldiçoa o dia em que nasceu.

Jó ficara solitário, humilhado e sofrendo dores. Seu sofrimento maior era o sentimento de que Deus o abandonara. Neste seu discurso (que se estende até o versículo 26) Jó disse a Deus exatamente como se sentia. Começou maldizendo o dia em que nasceu e sua vida de sofrimento, mas note-se que em tudo isso Jó não blasfemou contra Deus. Seu lamento era uma expressão de dor e desolação, mas não uma expressão de revolta contra Deus. Sempre é melhor para o crente levar ao Senhor em oração suas dúvidas e sentimentos sinceros. Nunca é errado levarmos a Deus nossas aflições e angústias, a fim de invocarmos a sua compaixão. O próprio Jesus Cristo perguntou a Deus – “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?”

Broadman escreve que a queixa de Jó é entendida como seguindo os eventos descritos anteriormente, ou seja, ele não estava se queixando em vão, pois, uma pessoa que sofreu infortúnio, calamidade ou derrota tem todo o direito de chegar ao santuário diante de Deus para contar sua história de aflição, lamentar seu estado desesperado e pedir ajuda a Deus, restauração, justiça contra opressores ou salvação de morte ameaçadora – “Quando alguém pecar contra o seu próximo, e puserem sobre ele juramento, para o ajuramentarem, e vier o juramento diante do teu altar, nesta casa, ouve tu, então, nos céus, e age, e julga os teus servos, condenando ao injusto, fazendo recair o seu proceder sobre a sua cabeça, e justificando ao justo, e fazendo-lhe segundo a sua justiça”.

Erivelton Figueiredo

Deus te abençoe.
Graça e Paz.

Referências:
– Bíblia de Estudo Pentecostal.
– Comentário Bíblico do Antigo Testamento – Broadman

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