Que tipo de tratamento é devido?

Jó 18: 3-4
 “Por que somos tratados como animais, e como imundos aos vossos olhos? Ó tu, que despedaças a tua alma na tua ira, será a terra deixada por tua causa? Remover-se-ão as rochas do seu lugar?”

Palavras pronunciadas num momento de angústia ou aflição, geralmente são mal interpretadas e, assim, o efeito que elas produzem é, em regra, desastroso. Bildade estava profundamente ofendido com as palavras de Jó. Atentem para a pergunta que ele faz a Jó – “Por que está nos tratando como animais imundos?” e, não foi bem isso que Jó disse. Ao examinarmos com cuidado tudo o que Jó tinha falado, em resposta às acusações dos amigos, não encontramos nenhuma insinuação disto. Se tinha alguém nestas passagens com o qual, precisava-se de extremo cuidado com a escolha do que se ia falar, essa pessoa era Jó.

Bildade, então, se sentido ofendido, começa a tratar Jó com agressividade e, sem poupar “veneno” em suas palavras ele pergunta atrevidamente – “Por acaso você está pensando que é o centro do universo?” Se fosse nos dias de hoje seria o mesmo que dizer – “Você está pensando que é a ultima cocada da bandeja?; Está pensando que és a última Coca-Cola no deserto?”
Bildade, na verdade, queria dar o assunto por encerrado e o veredito não é outro senão o de culpado e, se isso é indiscutível, não há por que alongar a conversa.

Jó já havia reclamado de que seus amigos não estavam agindo coerentemente ao título de sábios que detinham. Embora Jó não tivesse à sua disposição os Escritos Sagrados que tratam sobre a sabedoria, estava evidente que seus amigos estavam contrariando as características daqueles que eram vistos como sábios – “Os lábios dos sábios derramarão o conhecimento, mas o coração dos tolos não fará assim”. O máximo que seus amigos estavam fazendo, era refutarem tudo o que ele falava, só que com um agravante, a refutação estava construída sobre uma interpretação inadequada.

Bildade havia acusado Jó (v2) de ficar se esquivando dos conselhos que estavam sendo dado a ele e, sua esquiva se baseava na busca de palavras que firmassem seus argumentos, mas, que do ponto de vista dele (Bildade) eram todas inúteis, bom seria que Jó acatasse o conselho deles. O Pr. Antônio Mesquita no seu livro Estudo no Livro de Jó – Uma interpretação do Sofrimento Humano, escreve o seguinte: “ Queixa-se também de que Jó considerava os amigos como ignorantes e animais, pessoas desprezíveis. Ora, nem a tanto tinham ido as palavras de Jó. Eles, porém, não tinham uma palavra de compaixão, de misericórdia, apenas acusações, e Jó, naturalmente, lhes respondia de acordo. Não sabemos que os tivesse maltratado”.

Erivelton Figueiredo

Deus te abençoe.
Graça e Paz.

Referências:
– Comentário Bíblico Beacon
– Estudo no Livro de Jó – Uma interpretação do Sofrimento Humano – Pr. Antônio Mesquita

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