É possível autojustificar-se diante de Deus?

Jó 11: 4
 “Pois tu disseste: A minha doutrina é pura; limpo sou aos teus olhos”.

Entra em cena o terceiro amigo de Jó e sua argumentação, nos dois discursos que irá fazer, não é muito diferente dos seus amigos – acusar Jó de pecado. O nome deste terceiro amigo é Zofar e, segundo o Dicionário Wycliffe este homem concorda com os outros amigos de Jó, ao atribuir os sofrimentos de Jó aos seus pecados. Zofar é o menos discreto, falando de forma áspera e grosseira. Seus dois discursos levantaram a indignação de Jó, e este servo de Deus reagiu de uma forma diferente de quando ouviu os discursos de seus outros amigos. As respostas ali foram extremamente secas.

Quando Elifaz, Bildade e Zofar viram os terríveis problemas que Jó enfrentava, ficaram sem falar por um longo tempo. Depois, apresentaram vários tipos de “conselho”. Somente dois dos discursos de Zofar são registrados: o primeiro (Jó 11) e o segundo (Jó 20). Ele argumentou fortemente com Jó que sua alegação de inocência não era verdadeira. Se o amigo reconhecesse isso e se arrependesse, Deus restauraria a sua saúde. Zofar não acreditava no que Jó dizia e tentou persuadi-lo de que sua atitude de auto justificação estava errada. Havia pouca compaixão no que ele dizia.

O discurso de Jó no capítulo três não é uma alegação da sua inocência (Jó compreende perfeitamente que como homem, ele é pecador), mas uma lamentação do seu destino. Quando Elifaz começa a discursar, ele podia admitir a culpa de Jó sem fazer disso um caso de tribunal. Somente depois das acusações de Elifaz no capítulo cinco, é que Jó, nos capítulos seis e sete, de forma casual, alega sua inocência enquanto outras preocupações inundam sua mente.

Zofar começa seu discurso chamando Jó de paroleiro – “Porventura, não se dará resposta à multidão de palavras? E o homem falador será justificado?” O grande problema destes três amigos de Jó é que eles estavam demasiadamente concentrados no que Jó falava e, não se importavam nem um pouco com o que ele estava sentindo. Quando desviamos a nossa atenção para um ponto específico, não percebemos o que está acontecendo ao nosso redor. Muitas vezes focamos estritamente no comportamento das pessoas e construímos um conceito a respeito do caráter delas sem saber o que estas pessoas estão, de fato, vivendo.

Para Zofar as palavras de Jó a respeito de Deus não eram verdadeiras e só poderiam ser comparadas ao parlatório daqueles que falam sem pensar. Além disso, as afirmações de Jó a respeito de si mesmo eram falaciosas, pois ele não era puro diante de Deus. Ao enfatizar sua inocência, Jó não insinuou estar inculpável diante de Deus.

Erivelton Figueiredo

Deus te abençoe.
Graça e Paz.

Referências:
– Dicionário Bíblico Wycliffe
– Quem E Quem na Bíblia Sagrada – Paul Gardner
– Comentário Bíblico Expositivo do Velho Testamento – Warren W. Wiersbe

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2 thoughts on “É possível autojustificar-se diante de Deus?

  • 17 de novembro de 2020 em 10:25
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    “Amigos” não seriam eles para consolá-lo, para chorar junto o triste drama que Jó estava vivendo? As vezes o silêncio com atitudes de compadecimento da dor do outro conforta mais que palavras lançadas ao vento. Temos que nos alegrar com os que se alegram chorar com os que choram e orar pelos enfermos, eles não conheciam esses príncípios ou o seu grau de intelectualidade falava mais alto.???

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