Quando se olha para a glória do passado.

Jó 29: 1-5
 “E, prosseguindo Jó em sua parábola, disse: Ah! Quem me dera ser como eu fui nos meses passados, como nos dias em que Deus me guardava! Quando fazia resplandecer a sua candeia sobre a minha cabeça, e eu, com a sua luz, caminhava pelas trevas; como era nos dias da minha mocidade, quando o segredo de Deus estava sobre a minha tenda; quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo, e os meus meninos, em redor de mim”.

Quando Jesus disse a Saulo de Tarso que – “Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões”, Ele estava dizendo que Saulo ao se desviar daquilo que Deus “projetara” para ele, traria, sobre ele mesmo, graves e irreparáveis consequências. Em relação a isso, um teólogo* do sec. 18 escreveu o seguinte: “Enquanto desejamos ser diferente daquilo que Deus quer que sejamos no momento, estamos apenas nos atormentando inutilmente”.

Neste capítulo 29 e nos dois subsequentes, Jó fará sua última argumentação em relação ao que os três amigos tinham dito sobre ele. O início deste capítulo “E prosseguindo Jó…”, nos leva a entender que Jó se deteve um pouco em seu discurso (que tinha começado no capítulo 26) para possibilitar seus amigos de replicarem, porém, eles se calaram, talvez tenham considerado que era perda de tempo discutir aquele assunto com Jó.

Observemos atentamente que em sua lamentação inicial, Jó desejara nunca ter nascido, ele preferia nunca ter existido a viver nas circunstâncias que estava vivendo, mas, agora no capítulo 29, nos parece que ele já se esqueceu do que tinha falado, e passa a falar dos dias anteriores àquele dia fatídico em sua vida. Indubitavelmente o ser humano não está adaptado ao sofrimento independente da intensidade. Jó alguns dias antes dos seus amigos chegarem havia repreendido sua esposa pelo o que ela tinha sugerido – “Receberemos o bem de Deus e não receberíamos o mal?”. Provavelmente ele deve ter pensado que aquela situação não perduraria muito tempo, entretanto com o passar dos dias e sua condição física, psíquica e emocional se deteriorando acentuadamente, ele mudou de opinião. Em sua lamentação no capítulo 3, ele estava dizendo que não existir era melhor que aquela situação, mas, agora (cap. 29), nós vemos um Jó totalmente nostálgico.

Nós somos mais propensos a gravar as nossas provações em mármore e escrever as nossas bênçãos na areia” – Charles H. Spurgeon.

A partir deste capítulo Jó já se mostra arrependido do que tinha dito em sua lamentação inicial. Ele traz à tona as boas memórias do tempo (pouco tempo atrás) em que o Senhor o amparava em todas as coisas. Deus cuidava dele e compartilhava com ele sua amizade. A luz de Deus estava sobre ele, e sua presença estava com ele e seus filhos. Deus era a fonte de toda a riqueza e sucesso dele, quando ele “lavava os pés em leite, e da rocha [lhe] corriam ribeiros de azeite“.

Erivelton Figueiredo

Deus te abençoe.
Graça e Paz.

Referências:
– *Gerhart Tersteegen (25 de novembro de 1697 – 3 de abril de 1769)
– Comentário Bíblico Expositivo do Velho Testamento – Warren W. Wiersbe

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