É possível tratar o homem com imparcialidade?

Jó 32: 21
 “Queira Deus que eu não faça acepção de pessoas, nem use de lisonjas com o homem!”

Entra em cena um quinto personagem que até o presente momento não teve o seu nome sido citado, isso, provavelmente ocorreu por causa da forte cultura da época em não fazer menção daquele que eram considerados iniciantes, ou seja, Eliú era ainda um jovem e, por isso, certamente não tinha nada a compartilhar – nem conhecimento nem sabedoria. Ele estava furioso com os outros três amigos, pela incapacidade que demonstraram em refutar os argumentos do patriarca e persuadi-lo. Porque era mais jovem, primeiro ouviu os outros, enquanto buscavam explicar a Jó o que estava errado.

Eliú não compreendia como o patriarca tinha a capacidade de afirmar sua inocência perante Deus, diante das tragédias que sofrera. Sugeriu como Jó podia demonstrar arrependimento diante do Senhor. Como os outros, entretanto, não via o que Deus podia ver, desta forma um pré-conceito já estava plantado no fundo do seu coração: algo muito mais sério acontecia. Eliú conduziu a discussão com Jó a um nível teológico muito elevado, mostrando que a grande sabedoria vem mais através da inspiração do que da experiência humana e da tradição.

O discurso de Eliú é longo (abrange seis capítulos do livro), na verdade, trata-se mais de um monólogo do que um discurso, pois durante todo o tempo em que falou ele não foi interrompido por ninguém. Embora, culturalmente, ele não, provavelmente, não tinha voz ativa numa situação como aquela, todavia, Elifaz, Bildade, Zofar e o próprio Jó se calaram para ouvi-lo. Diferente do comportamento dos outros três amigos, Eliú já de “cara” revela o quanto está irritado com todos eles – “E acendeu-se a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão; contra Jó se acendeu a sua ira, porque se justificava a si mesmo, mais do que a Deus. Também a sua ira se acendeu contra os seus três amigos; porque, não achando que responder, todavia, condenavam a Jó”.

Tanto a história de Jó como o comportamento de todos os seus amigos nos trazem imprescindíveis e profundos ensinos e com Eliú não é diferente. Com os amigos de Jó devemos aprender como não nos comportarmos diante de uma situação semelhante como a que Jó estava vivendo. A atitude de Eliú nos serve como um exemplo que jamais deve ser seguido – não podemos começar um discurso estando com o coração cheio de ira. Nosso Deus, conhecendo-nos, até aceita que, em algumas situações, sejamos atingidos por um sentimento de ira, todavia, Ele não admite que esse sentimento seja a razão para pecarmos – “Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira”.

O grande problema de começarmos a falar quando estamos “fervendo de raiva” é que, durante esses períodos não só dizemos coisas que gostaríamos de não ter dito, como também dizemos muito mais do que queríamos dizer. Sem duvida alguma, provavelmente, falamos aquilo que era necessário falar, entretanto, pelo de fato de que nessas ocasiões ficamos temporariamente fora de controle, devemos sempre nos lembrar do exemplo de Eliú (exemplo negativo).

Erivelton Figueiredo

Deus te abençoe.
Graça e Paz.

Referências:
– Jó, Séries Heróis da Fé- Charles Swindol

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One thought on “É possível tratar o homem com imparcialidade?

  • 7 de dezembro de 2020 em 21:06
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    Muito relevante esse ensino

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