O inocente pereceu? Os retos foram destruídos?

Jó 4: 6-8 (NAA)
 “Você não tem confiança no seu temor a Deus? Não tem esperança na integridade dos seus caminhos? Pense bem: será que algum inocente já chegou a perecer? E onde os retos foram destruídos? Segundo eu tenho visto, os que lavram a iniquidade e semeiam o mal, isso mesmo eles colhem”.

Elifaz era o mais proeminente dos três amigos de Jó que vieram de longas distâncias quando souberam de suas tribulações. Ele é mostrado com um venerável sábio de Temã, em Edom, um lugar notável pela sua sabedoria – “Contra Edom. Assim diz o Senhor dos Exércitos: Acaso, não há mais sabedoria em Temã? Já pereceu o conselho dos sábios? Corrompeu-se a sua sabedoria?” Sem dúvida, a sabedoria de Elifaz deveria ser típica do mundo daquela época, e era produto de longos períodos de pensamento, experiência e estudo. Em seu primeiro discurso ele afirma que a condição de Jó era o resultado natural de uma causa em que ele incluí impureza natural e devassidão moral.

Uma das bases que Elifaz usou para construir seu discurso foi o conceito de vida que ele próprio estabelecera – “Segundo eu tenho visto”. Dentro do que podemos inferir do que temos escrito sobre este homem, ele tinha uma extrema confiança na tradição religiosa e o Deus que ele conhecia era intransigente. Sim! A imagem que Elifaz construíra de Deus era a de um Deus disposto a punir qualquer um sem misericórdia ou amor.

A teologia de Elifaz, no tocante ao sofrimento humano, estava totalmente equivocada. Primeiro porque de acordo com a sua compreensão a graça de Deus estava excluída de todo e qualquer propósito de Deus para com o ser humano e, em segundo, por ser tão inflexível, a sua teologia fazia de Deus um Legislador rígido.

Quando dizemos que Elifaz estava equivocado com a sua teologia, o fazemos diante de uma declaração dada por ele mesmo – “algum inocente já chegou a perecer?” Ora, essa declaração de Elifaz equivale ao que ouvimos constantemente nos dias de hoje – “quem tem promessa de Deus não morre”, e, ambas estão completamente desamparadas das doutrinas bíblicas. Evidentemente que a declaração de Elifaz estava sustentada pelo o que ele mesmo sabia de Deus, ele não tinha uma Bíblia, nem sequer um manuscrito sagrado para fundamentar sua teologia.

De acordo com a teologia de Elifaz, se Jó está vivendo no temor do Senhor, então não precisaria temer, pois Deus sempre abençoa os justos e julga os perversos. Sendo assim, esta é a premissa básica (informações essenciais que servem de base para um raciocínio, para um estudo que levará a uma conclusão), não só de Elifaz, mas, também, dos outros amigos de Jó: faça o que é certo e tudo dará certo; faça o que é errado e Deus enviará seu julgamento.

Erivelton Figueiredo

Deus te abençoe.
Graça e Paz.

Referências:
– Dicionário Bíblico Wycliffe
– Comentário Bíblico Expositivo do Velho Testamento – Warren W. Wiersbe

Compartilhar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.