O que revela o esplendor do céu?

Jó 35: 5
 “Atenta para os céus e vê; e contempla as mais altas nuvens, que estão mais altas do que tu”.

Se Jó tivesse sucumbido aos discursos de seus amigos, indiscutivelmente, teria feito exatamente aquilo que Satanás tinha dito – as pessoas se aproximam de Deus apenas por interesse. É extraordinário ver como o Livro de Jó, aliás, toda a Bíblia, mantem-se contextualizada em qualquer época em que foi examinada delicadamente. Ao contrastarmos a postura dos amigos de Jó com a de algumas pessoas (crentes) dos nossos dias, percebemos o quanto são similares. Semelhantes, tanto no trato com o próximo quanto no relacionamento que se tem com Deus (entenda relacionamento no sentido de comunhão).

Quando recriminamos a postura dos amigos de Jó, não estamos insinuando que tudo quanto eles falaram foi pura besteira, não é isso! Recriminamos aquilo que falaram alicerçados em seus próprios conceitos. Muitos de nós falamos, em algumas situações, grandes verdades, todavia, muitas das vezes, não vivemos plenamente tais verdades. Por exemplo, uma das verdades que gostamos muito de falar é que devemos amar a Deus pelo o que Ele é, todavia, geralmente, nos pegamos servindo a Deus conforme Satanás nos acusou – interessados em algum benefício. Não estou generalizando, mas, infelizmente, um número bem exagerado de crentes serve a Deus somente pelo interesse. Não no sentido de barganhar com Deus, mas, no aspecto “meritocrático”, isto é, merecimento ou recompensa por bom comportamento.

A oração de Ezequias (II Reis 20) é usada por alguns pregadores como incentivo para o crente buscar um favor de Deus. Mas, o problema é que usam essa experiência que ocorreu exclusivamente com Ezequias (não temos narrado na Bíblia outro fato semelhante a este) e querem aplica-la a qualquer um. Citei a passagem de Ezequias em razão do que Eliú disse a Jó – “os homens invocam a Deus somente quando estão em aperto”, isso seria o mesmo que dar razão a Satanás. A diferença entre o que ocorreu com Ezequias e o que Eliú disse, está na sinceridade com que se fez a oração e, segundo a teologia de Eliú, Deus só responde as orações que são feitas com sinceridade. Eliú insiste na mesma teoria dos outros três – Jó não é tão fiel quanto diz ser.

O operar de Deus é algo que nenhum homem pode determinar como será. Infeliz é o homem que se atreve a determinar como e quando Deus vai agir (senão por divina revelação). Os amigos de Jó viram o silêncio de Deus como um ato de reprovação dEle em relação a Jó, entretanto, ainda que o nosso Deus não alivie o fardo, Ele pode dar ao sofredor que confia nele “canções de louvor durante a noite”.  O Senhor deu “canções de louvor durante a noite” a Jesus, antes de ele ir para cruz e a Paulo e Silas na prisão em Filipos. Se Deus não considera apropriado remover nossos fardos, sempre nos dá forças e um cântico para entoarmos para carregá-los.

Erivelton Figueiredo

Deus te abençoe.
Graça e Paz.

Referências:
– Comentário Bíblico Expositivo do Velho Testamento – Warren W. Wiersbe

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